Tentei ficar quieto sobre a polêmica da Joelma, juro!
Mas aí lembrei de algumas coisas.
Da época em que me dei conta de que não era como os outros e do medo que senti.
Da dúvida, da diferença e, principalmente, das Joelmas.
Tive um amigo que a mãe era Joelma. Ela fechou o portão na minha cara dizendo que o filho não andava com gente "esquisita".
A mãe de uma amiga da minha irmã também era Joelma. Um dia me atraiu até uma festa de meninas e fez com que todas me pintassem para, depois, chamar os garotos da rua.
Lembrei também de quando me apaixonei por um colega de trabalho e sufoquei por medo das Joelmizações.
E nunca vou esquecer o dia em que um grande amigo teve duas costelas quebradas, nariz arrebentado, olhos machucados e outras barbáries por filhos de Joelmas.
A corrente Joelmística é muito forte. Onipresente, vigia em nome da fé, da moral e dos bons costumes que só valem para os outros.
Eu não posso andar de mãos dadas com a pessoa que amo, nem beijá-la ou demonstrar carinho pois ofendo Joelmas, mesmo as que acham que não são Joelmas. Mas estas, sim, podem me apontar, julgar e condenar e tenho de agradecer por isso.
E depois de falar besteiras a Joelma diz: "Gente... cadê minha liberdade de expressão?"
Eu respondo... Procure na prisão sem muros em que me enfiou todos estes anos.