domingo, 22 de novembro de 2009

Lua Nova

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Ainda era dia, mas eu esperava a lua... uma lua nova.

Lua que vem de longe, mas que, quando aparece, toma conta... é quase promessa.

Antes da lua veio a chuva. Sempre um convite para dentro... a introspecção também tem sua beleza.

Entre imprevistos e um radiador quebrado, deu tudo certo.

Uma alegria, uma paz, um carinho, uma atenção. Sei lá... tem amizades, essa em especial, que não cabem na terra, precisam ser elevadas até a Lua. Amizades cheias, que minguam, crescem, cobrem como eclipse, até vir o novo... uma lua nova!

Sei que não sou ingrato. Sou falho, mas não ingrato.
Como eu queria demonstrar tudo o que sinto num fluxo ininterrupto. Como eu queria que este meu amigo soubesse que trouxe uma lua nova. Como eu queria..,

Marco Antonio é uma das melhores pessoas que já conheci na vida.
Explosivo, intenso, louco, passional, mas um doce. Consciente, inteligente, dedicado, preocupado, amoroso. É a personificação do equilíbrio, tem o sim e o não. Por vezes a balança pesa mais para um lado, mas quem não é assim?

Neste feriado tive o prazer de sua companhia. Numa passagem rápida por São Paulo, almoçamos e assistimos Lua Nova, a febre adolescente do momento. Acompanhamos o livro, ele bem mais que eu, confesso, já que parei no número dois e ele já está terminando Eclipse, o terceiro capítulo da saga.

Lembro de ter achado os diálogos de "Crepúsculo" uma bobagem. Mas uma deliciosa bobagem. Frases feitas, batidas, em detalhes que não faziam diferença no contexto. Era uma história de amor. Histórias de amor são sempre histórias de amor.
Este Lua Nova foi melhor trabalhado. Certamente com um orçamento maior devido ao hype, encontramos uma direção de arte, trilha e efeitos visuais mais complexos. Particularmente gostei muito da parte que enfatiza a depressão da chatôncia da Bella Swan. Sentada em frente à janela do quarto, observando as estações do ano passarem, imóvel, com a mesma roupa, penteado (ou despenteado) e olhar perdido, cena registrada por um elegante movimento circular de câmera, que enfatiza que os pensamentos e a própria vida da personagem está às voltas, mas não saí do lugar. E quem de nós nunca se sentiu assim?
Desde o primeiro, penso que, para os adultos, claro, o chamariz da trama não vem da Bella Chatôncia, do vampiro Edward Cullen ou qualquer outro personagem. Fica claro que a grande estrela é mesmo o "sofrer por amor". E como eles sofrem. Como nós sofremos.
Talvez a pior dor que existe é gostar de alguém que não gosta de você. Pior, até gosta, mas que deixa claro que não na mesma intensidade ou sentido. Saber que seu amor não terá vazão, não terá conforto, muito menos resposta, é a pior prisão a que se pode ser condenado. Uma prisão sem muros.
Nesta prisão, onde os cruéis guardas são nossos próprios instintos, há sessões de tortura. Cada sorriso, cada gesto e movimento da pessoa amada aumentam a sentença. À parte da lei do homem, racional e previsível, a lei do coração não tem pena máxima. Pode durar um ano, dois, trinta... uma vida inteira.
Jacob, sabe bem disso. À sombra de Edward Cullen ele cresceu (literalmente). Contudo, sua devoção por Bella (a chatôncia) não vai salvá-lo da prisão. Ele está condenado, desde o primeiro momento. E passa o filme assim, sendo torturado pelas graças e encantos de alguém que quer ser de outro. É... as vezes nos sujeitamos a isso. Um egoísmo reconhecido pela própria Bella. "Não posso ficar com você, mas não posso deixá-lo ir embora. Preciso de você".
Apesar do sofrimento, tudo o que Jacob precisava era de um NÃO. Claro que transportando para o mundo real, o sim é sempre melhor. Seria ótimo se todo mundo conseguisse ficar com quem sempre sonhou. Mas o NÃO também é uma resposta... e das mais libertadoras. Só assim se consegue ir adiante. Enquanto há esperança, há luta. Por isso aconselho: Se sabes que alguém gosta de ti e não tem intenção de corresponder, deixe-o ir.
Mas deixa eu falar mais um pouquinho do Marco Antonio, que veio do Rio para ver o filme comigo e me cumprimentar pelo aniversário próximo. Esse cara tem um mundo de dúvidas dentro de sí e uma cabeça fértil demais. Essa soma não é muito boa. Acaba criando muros e problemas homéricos quando o real se reduz a uma pulga. Mas aí está sua beleza. Uma força descomunal, uma luta pelo que acredita, uma defesa da verdade e do esclarecimento, uma presença espiritual. Espero contar com ele sempre. Espero que ele conte comigo sempre.
As vezes penso que não mereço essa amizade. Já pisei muito na bola e continuo pisando. A cada dia descobrimos que não somos quem imaginávamos. Mas isto é convivência. Se sebrevivermos é porque é amizade mesmo... até o fim.

domingo, 15 de novembro de 2009

Acordei com você

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Aquele sono me trouxe uma paz, um conforto.
Sabia que ele estava ali, fitando-me.
Com janelas da alma lindas... de um azul intenso. Por vezes mar, por outras céu.
De um mistério, de uma beleza. Como a pantera imponente e rara presa em jaula. Andando em círculos, sem espaço. Feita para o mundo, engolida pelo homem. Não entende o lado de fora, não deixa passar para o lado de dentro.
Resistência graças ao trauma da captura.
Mas o quarto do hotel não era jaula. Não precisava de círculo.
E eu entrei... minha maior aventura.
O que eu tiro? As feras é que são belas.
Obrigado pelo companheirismo, sempre!

sábado, 14 de novembro de 2009

Dreaming Out Loud

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:::Ouvindo One Republic - Stop & Stare:::

Segunda-Feira, centro de São Bernardo.
A semana começa em fadiga.
Na avenida em frente à prefeitura, vultos de carros em alta velocidade.
O termômetro de rua marca 36 graus.
Sai brasa do asfalto.
O botequim da esquina é oasis, miragem.
Paro e compro um Toddy gelado.
Saio e dou de cara com o meu amor.
Lindo com um contorno dourado.
Meu coração acelera.

Que sensação fantástica!
Ele estava ali... eu o tinha, mas sempre na incerteza do que aconteceria.
Louco isso.
O sim e o não ocupando o mesmo espaço.
Ele me deu a mão.
- Vim te buscar.
Acenei que sim com a cabeça.
Um sorriso de canto de boca denunciava nossa cumplicidade.
Andando de mãos dadas, os outros eram os outros, meros figurantes.
Na minha cabeça tinha uma trilha e um desejo.
Que fosse sempre assim, com ritmo de música boa, dois pra lá e dois pra cá.
Paramos num farol e ele segurou minhas duas mãos.
Um carinho inesperado no pescoço me trouxe arrepio e houve a luta de sentidos mais intensa que alguem pode imaginar.
E aí veio o beijo.

Começou como o encontro físico perfeito, mas era veneno. Poderoso, alucinógeno, vicioso.
O mundo já não existia. O que importava estava ali.
À testemunha do sol, ficamos abraçados, desejendo e querendo bem ao outro.

Um barulho tímido tirou meus cosmos.
O toddynho tinha acabado.
Peguei-me balançado a caixa e olhando desconcertado o entorno da São Bernardo escaldante.
Parei um ônibus, procurando não sei bem o que.

Talvez o que mais tenho saudades e que nunca tive.
Ele não estava.